Nasce

22 06 2006

outra e outra vez, todos os dias.





Se voltares

21 06 2006

Se voltares, volta mais tarde.





Más adentro, mar adentro

19 06 2006

Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños,
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo
es como penetrar al centro del universo:

El abrazo más pueril,
y el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos
en un único deseo:

Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos.

o texto faz parte do filme Mar Adentro, cujo realizador é Alejandro Amenábar.




Se venceres

19 06 2006

Salvador Dali

Se venceres, vence o medo.





Se fizeres

19 06 2006

National Geographic

Se fizeres, faz diferente.





Se pensares

19 06 2006

imagem manipulada

Se pensares, pensa por ti.





Se fores

18 06 2006

Se fores, vai mais longe.





Entretanto

17 06 2006

Gustav Klint

Ainda agora tinha tudo sabido, mas há sempre uma nova lição. Mesmo à parte de mim.





Insen

13 06 2006

Qual Santo António! a não perder, hoje no Coliseu de Lisboa, Insen, um espectáculo que resulta da colaboração entre Alva Noto e Ryuichi Sakamoto, que juntos criaram uma nova sinergia entre o piano acústico e a música electrónica. Delicioso, para ver de olhos fechados.

Para quem quiser saber mais, a informação está disponível em http://www.lisboacultural.pt .





Egoísta

9 06 2006


Já lá vai o tempo em que o amor me preocupava, agora penso.
Ganho, perco, poupo tempo a pensá-lo, a senti-lo.
Olho o lago e o cisne e a flor, e digo: nunca me bastaram.
Olho as pessoas e as coisas, e digo: nunca me bastaram.
Olho-me e digo: nunca me bastei.
De que precisaria, então, para me bastar?
Para fruir da saúde, os outros, a vida?
Que me faltou, quem me impediu?
Quem me ensurdeceu à própria voz?
Porque não escutei o meu grito de socorro?
Não me estendi a mão?
Me deixei cair, despenhar?
Quem, além de mim, posso culpar?
Ás vezes, digo: foi esta vontade de ser amada!
Esta servidão à vida e aos outros!
Esta mendicância de mimos, de palmas!
Este sol, esta luz, este vinho!
Estes fricassés da minha infância!
Este pai, esta mãe, estes meus irmãos!
Este País ajoelhado, esta poesia queixosa, esta saudade trágica!
Esta, sobretudo, esta, inferioridade!
Outras vezes, penso: foi pena.
Ninguém me ter dito que não era com os outros, mas comigo,
que eu teria de viver.
Mais.
Sempre.
Inescapavelmente.
Até que a vida, enfim, me separe.
O corpo da alma, os outros de mim.
Porque não há moeda.
Poder.
Divórcio, viuvez.
Não há, sequer, invalidez. Que nos aparte, nos desmembre.
Nos liberte de nós.
Nascemos ao mesmo tempo. Morremos sozinhos.
Eu e eu.
Os meus talentos, os meus aleijões.
Os meus lamentos, as minhas pulsões.
A minha natureza, as minhas digestões.
Aprendi então, a viver comigo.
A seduzir-me, a saborear-me.
Para que a minha companhia me agrade sempre.
Que, na dificuldade de me odiar, aceite amar-me.
E que, desse amor, possa nascer novo fruto.
Não foi, aliás, facultativo.
Se o fosse, não estaria aqui.
Viver comigo é longo, interminável.
Imposto, indeclinável.
E as fugas a mim mesma têm custo.
Não basta o sangue, o mesmo sangue.
É preciso amizade. Uma grande e superior amizade.
Despede-se um amigo, derrota-se um inimigo.
Não nos livramos de nós.
Só com uma grande amizade nos suportamos.
Nos resignamos, nos perdoamos.
É preciso fomentar um sentimento.
Para carregar o mesmo corpo, a mesma casa.
A mesma carne, o mesmo querer.
Pecados, corrupções. Batotas, desilusões.
E nunca o eu se fartar de mim.
Por estar preso, cravado. Sobreposto, agrilhoado.
Condenado a si mesmo e àquilo que se chama de solidão.
Solidão?
Nunca estou só, estou a meu lado!
E deveria bastar viver assim.
Permanentemente acompanhado, apaixonado.
Sozinho, é quem se cansa de si mesmo.
Se sente um desprazer, uma doença. Precisa, então, de amar.
Tanto, tudo.
Assolapada, veemente.
E perder
Para que enfim se baste, se desprenda.
Não precise, não dependa.
E o outro não seja afinal, mais do que eu.
A possibilidade, a novidade.
A pista, a luz, a alternativa.
Porque essa reside em mim
Se nada nem ninguém me bastou o que me faltou fui eu.

para a minha querida amiga Mafalda, bom aniversário.